Praça
Número 4 . 2026
Um experimento coletivo pautado na liberdade criativa e divulgação cultural a partir de perspectivas plurais. Música, cinema, fotografia, artes plásticas, poesia. As páginas da Revista Praça contam histórias que demonstram as nuances de uma cultura rica, humana e independente.
Editorial
O exercício do jornalismo de qualidade, que observa princípios básicos da ética profissional, depende, em parte, da busca por respostas à seis perguntas clássicas do gênero. E todo estudante aprende, desde o início do curso, que para reportar algum fenômeno ou fato é preciso identificar com precisão o que aconteceu, como, onde, quando e porquê aconteceu, e quem são as pessoas ou os atores (no sentido proposto por Bruno Latour) envolvidos no acontecimento. Embora a fórmula seja aparentemente simples, ela tem nuances, e riscos, que só o tempo, a prática e os estudos ajudam a aperfeiçoar.
Quando o gênero de jornalismo em questão é aquele que chamamos de narrativo ou literário, a mesma premissa se mantém, acrescida de uma dose extra de estilo, criatividade e noções de escrita literária propriamente dita. Tal escrita exige certa maturidade, adquirida com o tempo e a prática, e dela faz parte, no caso do jornalismo, o domínio da cobertura factual.
Na Revista Praça, tudo acontece simultaneamente: estudantes que recém ingressaram no curso de Jornalismo são estimulados a familiarizar-se com as premissas do jornalismo factual e, ao mesmo tempo, exercitar uma escrita em que se expressem de forma mais pessoal, entrelaçando a narrativa de suas personagens com a sua própria.
Na edição número 4 o leitor vai poder acompanhar histórias que mobilizaram os futuros jornalistas quando da proposta de suas pautas. Algumas possuem temáticas de forte impacto social, como as reportagens que relatam vivências e desafios de drags mineiras e a trajetória de trabalhadoras domésticas em casas de famílias das classes média e alta. Outras são mais contemplativas e buscam compreender o encanto e as dores de bailarinas mineiras, ou traçar a atividade de pessoas e grupos que se dedicam à preservação de brinquedos e brincadeiras populares. Acervos belo-horizontinos de discos e filmes e uma homenagem ao artista Lô Borges, que faleceu durante o período de preparação deste número, também fazem parte desta edição. Assim como reportagens retratando a trajetória e o trabalho de dois jornalistas mineiros: Daniel Barbosa, da editoria de cultura do jornal Estado de Minas, e Bruno Fonseca, editor da Agência Pública.
Por princípio, a revista acolhe as inquietações dos estudantes e a sua busca por respostas ou explicações sobre situações ou fenômenos diversos. Em cada reportagem os estudantes oferecem um olhar detido e uma escrita que se abre à escuta de seus personagens e àquilo que cada um deles e delas tinha para contar.
Como nos três primeiros números da Praça, reportagens visuais e o tratamento gráfico constituem-se como força comunicativa ímpar, que se expressam por si só, e como camadas adicionais de significado para as reportagens escritas, deixando-as ainda mais convidativas. Os ensaios fotográficos escrutinam memórias familiares, pixações, mercados e pretos em alta.
Esperamos que os leitores apreciem imagens, histórias e as narrativas sobre elas nesta nova edição.
Iara Franco
Editora-Chefe
NÚCLEO DE EXPERIMENTAÇÃO EM JORNALISMO
O Núcleo de Experimentação em Jornalismo da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas está sediado no Campus Lourdes. Idealizado como espaço de experimentação para os alunos da unidade, o seu objetivo é promover o desenvolvimento de produtos no campo do jornalismo cultural. Teve início com a criação da revista Praça, destinada a abrigar reportagens realizadas com maior tempo de investigação e redação, em diálogo com as perspectivas contemporâneas do jornalismo. A formação deste núcleo e de sua revista almeja promover a vocação cultural do curso e estabelecer pontes efetivas entre a universidade e o espaço em que ela está inserida, o Circuito Praça da Liberdade.


